segunda-feira, 4 de maio de 2009

Respondendo aos Céticos


Se Deus realmente existe, não seria evidente para todo mundo? Por que Deus não pode provar Sua existência de uma vez por todas escrevendo uma mensagem no céu ou algo parecido? Por que Deus torna tão difícil crer nele?
 
Resposta:
 
O mito da certeza
 
Não deixem minha aparente certeza em nossa diálogo enganar você. Sou um cristão convencido certamente – à luz da evidência histórica, e sob o poder transformador do Espírito, eu não poderia ser de outra forma. Mas a fé nunca veio para mim facilmente também. O Cristianismo não deve ser uma gigante “máquina de respostas” (ainda que muitos fundamentalistas a reduzem a uma). Lutar com respostas faz parte do que significa ser humano – isto é verdadeiro para cristãos devotos assim como ateístas comprometidos, se ou não eles estão dispostos a admitir.
 
Duvidando do “método direto”
 
O que aconteceria se a existência de Deus e Seu cuidado pela criação fossem inegavelmente claros para todos? E se Deus Se revelasse de uma forma que ninguém pudesse negar? E se Deus escrevesse pelo céu, “Jesus é o Filho de Deus, Ele morreu por seus pecados e ressurgiu dos mortos,” de modo que todos pudessem ver e ninguém pudesse negar? De repente todos colocariam sua confiança em Jesus Cristo? Quando Jesus estava aqui na terra, realizando milagres, ministrando aos feridos, e criticando os farisaicos, aqueles que não queriam segui-lo ainda duvidavam. Quando a voz de Deus falou dos céus no batismo de Jesus, dizendo, “Este é o meu Filho amado,” aqueles que duvidavam a rejeitaram como um trovão. E até quando Jesus levantou dos mortos, muitos guardas romanos testemunharam, mas ainda assim escolheram cooperar com a conspiração dos líderes religiosos para ocultar isto. Da mesma forma aconteceu no Velho Testamento. Deus usou “o método direto,” todo o tempo durante o êxodo israelita do Egito – por exemplo, Deus dividiu o Mar Vermelho, forneceu pão do céu para sustentá-los no deserto, e usou uma coluna de fogo à noite e uma coluna de nuvem ao dia para guiá-los – mas muitos ainda O questionaram. Por que isto?
 
Quatro razões por que a fé é melhor do que a certeza
 
Em primeiro lugar, os eventos extraordinários não necessariamente deixam uma impressão permanente. Após algumas semanas, meses, e anos, a impressão inicial desaparece gradualmente. As pessoas que baseiam sua crença em Deus em uma ocorrência miraculosa tendem a exigir uma dieta constante de milagres para manter sua fé. Quando este é o caso, os “milagres” tendem a deixar de ser tão miraculosos (eles acabam sendo falsos, que é o caso com a maioria dos televangelistas que curam pela fé). Então, mesmo se Deus escrevesse uma mensagem para nós no céu, por ora poderia convencer muitas pessoas, mas por mais que a fé fosse baseada neste evento eventualmente iria enfraquecer.
 
Em segundo lugar, tudo pode ser explicado por mais de uma maneira. Até uma nuvem que contivesse uma mensagem “inequívoca” de Deus poderia ser explicada como um fenômeno meteorológico extraordinário, uma conspiração da direita, uma campanha de engano da KGB ou da CIA, uma enorme alucinação coletiva, ou um Arquivo-X para Scully e Mulder tentar resolver. Os milagres que a Bíblia atribui a Jesus e aos apóstolos têm sido explicados como truques, embustes, coincidências, mitos, ou, como os líderes religiosos de seu dia acusaram-no, atividade demoníaca. As explicações não têm que ser boas, mas apenas possíveis... e algumas vezes nem mesmo isso é verdadeiro. As pessoas encontrarão um jeito de acreditar no que elas querem acreditar sobre a realidade ao invés da realidade.
 
Em terceiro lugar, a presença de Deus e Sua atividade no mundo não nos é de modo inequívoco evidente porque é obscurecida, mal interpretada, e algumas vezes contrariada por forças espirituais que se rebelaram contra Deus e por pessoas pecadoras. Há um inimigo das almas humanas que cega os olhos das pessoas à presença de Deus e ensurdece seus ouvidos à voz de Deus (2Co 4.4). Dessa forma, a evidência do mal que vemos em todo o nosso redor nos faz questionar e duvidar de qualquer evidência do bem que experimentamos.
 
Finalmente, ainda que o “método direto” de Deus convence as pessoas de que Deus é real e de que é melhor fazermos o que ele diz, ele não conclui o que Deus está buscando – uma relação amorosa, de confiança e proveitosa. A fé faz isto de uma forma que uma certeza originada de passar através do Mar Vermelho, ou testemunhar curas miraculosas e exorcismos, ou ler uma mensagem de Deus nas nuvens, nunca pode realizar. Deus às vezes intervém neste mundo de modos extraordinários, mas a crença baseada unicamente na intervenção divina somente consegue impressionar pessoas em submissão – e isto somente temporariamente. Este tipo de convencimento pode até forçar palavras de temor, “amo você,” mas não pode produzir amor genuíno.
 
Amor e liberdade
 
O amor deve ser escolhido. Se Deus de alguma forma intervisse em nossas vidas de um jeito convincente que nenhuma outra explicação fosse possível, e agisse assim repetidamente para que a impressão nunca desaparecesse, não teríamos nenhuma escolha senão acreditar. Pessoas que estão interessadas na certeza – sejam elas cristãs ou ateístas – tentarão convencer vocês que Deus claramente está presente no mundo ou que Deus claramente está ausente no mundo. Eu não creio que cada uma destas opiniões seja possível. Se Deus fosse meramente poderoso, ele facilmente nos convenceria completamente de sua presença e nos levaria a fazer o que quer que ele quisesse, e se Deus não existe poderíamos todos ser facilmente convencidos de sua ausência. Mas eu penso que muitas pessoas se posicionam em algum ponto entre esses dois extremos, tendo que fazer uma escolha. Deus está presente o suficiente para que aqueles que escolhem seguir sua presença sejam livres para segui-la, mas ausente o suficiente para que aqueles que escolhem rejeitar sua presença sejam livres para rejeitá-la.
 
Quem você conhece? A relação importa.
 
Se você escolhe seguir ou rejeitar Deus, você deve sair em fé. Assim, em minha opinião, a “evidência” é extremamente importante. Não é o que você conhece, é quem você conhece. Quando você pensa sobre isto desta forma, o tipo de milagres que Jesus realizou começa a fazer muito mais sentido. Ele curou pessoas e perdoou seus pecados não porque estava simplesmente tentando convencê-los de alguma coisa, mas porque realmente se importava com elas. O sofrimento delas Lhe causava tristeza e elas confiavam que Ele tinha poder para fazer alguma coisa sobre isto, por esta razão ele fez. Deus sabe pelo que estamos passando, sabe sobre as forças espirituais e físicas que enfrentamos, e quer fazer alguma coisa sobre isso porque Ele se preocupa conosco, e não porque está entusiasticamente tentando nos convencer de alguma coisa. O cuidado de Deus por nós também significa que Ele não nos força contra nossas vontades. Ele deixa a situação aberta para que nós possamos decidir.
 
Gregory Boyd

Tradução: Paulo Cesar Antunes

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