segunda-feira, 4 de maio de 2009

Breves Respostas às Objeções


Objeção 1. A visão aberta mina a onisciência de Deus.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus absolutamente conhece todas as coisas. Não há nenhuma diferença em meu entendimento da onisciência de Deus e do de qualquer outro teólogo ortodoxo, mas eu defendo que parte da realidade que Deus perfeitamente conhece consiste de possibilidades assim como de realidades. A diferença está em nosso entendimento da natureza do futuro, não em nosso entendimento da onisciência de Deus.
 
Objeção 2. A visão aberta mina a onipotência de Deus.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus é onipotente. Ele é o Criador de todas as coisas e por isso todo poder deriva dele. Como todos os arminianos, eu também defendo que Deus limita o exercício de seu próprio poder para conceder livre-arbítrio àqueles que ele criou à sua própria imagem.
 
Objeção 3. A visão aberta mina nossa confiança na capacidade de Deus para cumprir seus propósitos.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e garantiu tudo que quis sobre o futuro, visto ser ele onipotente. Eu também afirmo (porque a Escritura também ensina) que Deus nos criou com a capacidade para amar, e por isso nos capacitou a tomar decisões de algumas questões por nós mesmos. Dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Criador, parâmetros que garantem tudo que Deus quer garantir sobre o futuro, os humanos têm algum grau de auto-determinação. Isto significa que em relação ao destino dos indivíduos particulares as coisas podem não se mostrar como Deus deseja. Se negarmos isto, devemos aceitar que Deus na verdade deseja que algumas pessoas vão para o inferno. A Escritura nega isto (1Tm 2.4; 2Pe 3.9).
 
Objeção 4. A visão aberta mina a perfeição de Deus.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) a absoluta perfeição de Deus. Eu não vejo, entretanto, que a Escritura ensina que o futuro deve ser predeterminado, ou na mente de Deus ou em sua vontade, para Deus ser perfeito. Antes, creio que a perfeição de Deus é mais exaltada quando o entendemos ser tão transcedente em seu poder a ponto de genuinamente conceder livre-arbítrio aos agentes moralmente responsáveis.
 
Objeção 5. A visão aberta mina a força da oração.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que a oração petitória é nossa mais poderosa ferramenta para realizar a vontade do Pai “na terra como no céu.” Realmente, pelo fato de minha concepção permitir que o futuro seja um tanto aberto, creio que faz mais sentido por causa da urgência e eficácia que a Escritura atribui à oração.
 
Objeção 6. A visão aberta não pode explicar a profecia bíblica.
 
Eu afirmo (porque a Escritura ensina) que Deus pode e determina e prevê o futuro sempre que for adequado aos seus soberanos propósitos agir assim. Mas eu nego que isto logicamente requer, ou que a Escritura ensina, que o futuro seja exaustivamente determinado. Deus é sábio o suficiente para ser capaz de cumprir seus propósitos enquanto concede às suas criaturas um grau significativo de liberdade.
 
Objeção 7. A visão aberta é incoerente.
 
Alguns argumentam que é logicamente impossível para Deus garantir aspectos do futuro sem controlar tudo sobre o futuro. Esta objeção tem sido levantada pelos calvinistas contra os arminianos por séculos e não é mais poderosa contra a visão aberta do que contra os arminianos clássicos. Tudo na vida, da nossa experiência pessoal às partículas quânticas, aponta para a verdade de que o eqüilíbrio previsível não exclui um elemento de imprevisibilidade.
 
Objeção 8. A Escritura usada para apoiar a visão aberta pode ser interpretada como antropomorfismos fenomenológicos.
 
Esta declara que estas passagens são uma maneira humana de falar sobre coisas que parecem ser, não como elas verdadeiramente são. Entretanto, nada no contexto destas Escrituras, cobrindo uma variedade de públicos, autores, e contextos, sugere que sejam. Não há nenhuma razão para ler nestas descrições das ações de Deus qualquer coisa diferente da que sua mais natural explicação. Como podem relatos sobre o que Deus estava imaginando ser fenomenológicos (Jr 3.6-7; Jr 19-20; Ex 33.17)? E do que eles seriam considerados como antropomórficos?
 
Objeção 9. A visão aberta diminui a soberania de Deus.
 
Pelo contrário, ela exalta a soberania de Deus. Após descrever um iminente julgamento, o profeta Joel afirma, “Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal. Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção...” (Jl 2.12-14).
 
Preparado pelo dr. Greg Boyd para a Conferência Geral Batista

Tradução: Paulo Cesar Antunes

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